quinta-feira, 4 de julho de 2013

Eu santo?

trecho extraido do livro santidade em tempos de tentação pessoal

Imagine-se fazendo uma entrevista para o emprego deseus sonhos. Você foi bem em todo o processo de seleção, e
hoje é o teste final: uma entrevista com o presidente. Depois de uma conversa simples, ele faz uma pergunta
inesperada: “Se você tivesse de descrever-se com apenas cinco palavras, quais seriam elas?”
Seu coração palpita enquanto pensa na melhor resposta – como alguém pode fazer um resumo de si mesmo em
apenas cinco palavras? À medida que você se concentra para responder, nota que o presidente pega em cima da
mesa uma pequena pilha de cartões, com lista de palavras em cada um. Vendo seu desconforto, ele mexe lentamente
nos cartões e diz: “Não seja tão duro consigo mesmo, apenas escolha cinco palavras. Nosso departamentopessoal já
fez essa mesma pergunta a vários amigos seus, parentes e alguns ex-colegas de trabalho. Estamos curiosos para ver se
sua resposta corresponde ao modo como todos o vêem”.
Reflita por um momento. Que palavras outras pessoasusariam para descrevê-lo? Se o presidente permitisse que você
olhasse os carões, o que encontraria neles? Será que algumas daquelas pessoas colocariam a palavra “piedoso” entre
as cinco? Você escolheria a palavra “santa” para descrever sua vida?
Se você é como a maioria das pessoas, a idéia de chamar a si próprio de santo jamais passou por sua mente. O
conceito de ser “santo” parece ser uma daquelas qualidades reservadas para as manhãs de domingo e paradescrever
missionários e servos de Deus – não pessoas como você e eu.
Recentemente, num sábado de manhã, fiz esta experiência com um grupo de homens de minha igreja. Depois de
pedir que escolhessem as cinco palavras que melhor descrevessem sua vida, perguntei se alguém tinha incluído
“santo”. A resposta foi um silêncio embaraçoso. Alguns se mexeram na cadeira, outros cruzaram os braços e a maioria
olhou para os lados, evitando encarar alguém na sala.
Quando perguntei por que se sentiram desconfortáveis descrevendo-se como santos, os homens não tiveram
dificuldade de explicar as razões: “Ser santo é para pregadores! Eu usaria essa palavra para descrever mártires e
missionários e não a mim mesmo! É para santos, não pecadores. Pode ser que eu seja santo depois de morrer, mas
por enquanto sou apenas uma pessoa normal”. Para as“pessoas normais”, a santidade existe em algum lugar “longe”
– com santos empoeirados, distantes e mortos; não estão por aí calçando botas, dirigindo caminhões e trabalhando
das 8 às 17 horas.
Para entender melhor a atitude desses homens com relação à santidade, pedi a eles que descrevessem umapessoa
santa. Os exemplos que me deram foram: “A santidadeé uma pessoa severa, de roupas escuras e meias pretas, de
passos rígidos – mulheres usando espartilhos apertados!”; “As pessoas que se descreveriam como ‘santas’ vivem com
dificuldades, com problemas ocultos, carregam enormes Bíblias pretas por toda parte para lembrá-las do que não
devem fazer.”; “Ser santo é viver no vale do ‘NÃO’ – não para tudo aquilo que possui cor, alegria, espontaneidade,
humor, variedade e criatividade; não para o futebol, música com ritmo e para o filé enorme e suculento!”
Um dos homens, o mais engraçado do grupo, respondeu: “Santidade é como aquela velha pintura da casa dos velhos,
de pé ao lado do celeiro, com expressão severa e segurando um ancinho!”. Quando terminou, todos irromperam em
gargalhadas, porque sua resposta descrevia o que todos tinham em mente. Definimos santidade com palavras como
sóbrio, triste, entediante, severo e super religioso, mas não a definimos com algo real ou recente.
Quanto mais eu ouvia as respostas naquela manhã, mais compreendia por que ninguém colocou “santo” na lista de
cinco palavras. Quem quer permanecer rígido, de olhar severo, com um ancinho na mão?
QUAL É SEU “QUOCIENTE DE ATRAÇÃO” DE SANTIDADE?
Quanto mais eu pesquisava, mais preocupado ficava. Sabia que aqueles homens não eram os únicos – de fato, tiveram
a reação normal ao serem chamados de “santo”. Santidade parece ser um elemento da geração passada, alegremente
descartado. As pessoas parecem aliviadas por verem que finalmente a santidade está enterrada no passado distante,
e a maioria não deseja voltar para desenterrar seus restos gastos e indesejáveis. Pense em você mesmo por alguns
instantes... sente-se atraído pela idéia de santidade?
No mundo empresarial, os especialistas em marketing descrevem o sentimento de uma pessoa em relação a alguma
coisa como Quociente de Atração (QA), utilizando uma escala de 1 a 100. Quanto mais uma pessoa se sente atraída a
um produto ou conceito, maior é o seu QA; quanto mais a pessoa evita o produto ou conceito, menor é seu QA. Agora
imagine que a Empresa de Marketing Santidade contratou você para pesquisar o Quociente de Atração de santidade.
Em primeiro lugar você pesquisa como as pessoas que vivem num raio de um quilômetro de sua casa se sentem com
relação à santidade; segundo, você afunila mais a pesquisa, restringindo-a àqueles que são membros de igrejas e
estabelece o QA médio entre eles. Por último, você faz uma pesquisa comparativa do QA das três últimas gerações.
Qual você imagina que será o resultado? Qual o QA de sua geração com relação à santidade? E da geração de seus
pais? E da de seus avós? Qual é a tendência – as pessoas estão mais ou menos atraídas pela santidade?
Agora digamos que a Empresa de Marketing Santidade deseja saber se existe alguma relação clara entre santidade e
qualidade de vida. Ou seja, à medida que a santidade declina rapidamente, o que acontece com as bases da
sociedade? Por exemplo:
1. Com o declínio da santidade, qual é a tendência nos casamentos e nas famílias? O índice de divórcios aumenta ou
diminui? O relacionamento entre pais e filhos se fortalece ou enfraquece? Os abusos tornam-se mais ou menos
freqüentes?
2. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na vida das crianças? A juventude torna-se mais honesta, íntegra,
disciplinada e respeitosa? Ou mais desonesta, egoísta e sem respeito pela autoridade?
3. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na mídia? Os filmes, programas de TV e de rádio e revistas
promovem valores sólidos, fidelidade sexual e integridade nos relacionamentos e negócios? Ou estão promovendo
imoralidade sexual, a ganância e a violência?
4. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na população carcerária? A porcentagem de condenações, a idade
média dos detentos e o nível de violência na sociedade aumenta ou diminui?
5. Com o declínio da santidade, qual é a tendência nas moléstias físicas?Há mais pessoas saudáveis ou doentes? Os
distúrbios psicológicos aumentam ou diminuem? Os indivíduos usam mais ou menos drogas para escapar dos
problemas?
6. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na moral da sociedade? As pessoas se sentem mais seguras?
Nossas cidades são lugares mais seguros? O alcoolismo e a dependência de drogas aumentam ou diminuem? Os
processos por direitos civis tornam-se mais ou menos predominantes?
7. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na qualidade geral de vida? As pessoas têm uma vida mais
equilibrada, com mais paz e contentamento? A bondade e a boa vontade entre os homens tornam-se mais oumenos
prevalecentes?
O que você descobriu? As tendências são inquestionáveis. Embora você tenha relacionado o conceito de “santidade”
com casamento, família, mídia, moléstias físicas, bem-estar psicológico, vícios, imoralidade e qualidade de vida, a
Bíblia não apenas faz essa conexão como também repetidamente apresenta uma relação inquestionável de causa e
efeito entre santidade e os aspectos da vida cotidiana. Com base nessa verdade, você consegue agora começar a enxergar o resultado devastador da atitude negativa em geral com relação à santidade?

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